sexta-feira, 10 de junho de 2011

Conto 6

Era uma escura e fria noite de inverno, a pequena casa de madeira estava congelando, e seus moradores não tinham com o que se esquentar além dos poucos cobertores nas camas.
O pequeno garoto de apenas oito anos que morava ali estava muito doente, sofria de uma forte gripe e seu corpo estava ardendo em febre. Sua mãe cuidava dele o tempo todo, não saia de perto do garoto enquanto aguentava, mas mesmo as mães mais prestativas precisam dormir.
Quando ela deitou em seu quarto, o garoto ficou sozinho. Sua febre ainda era alta, e ele delirava em torno dos pesadelos que estava tendo. Em um momento da madrugada, o garoto viu, ou imaginou ter visto a porta de seu quarto lentamente se abrir, e ouviu o som de algo entrando. Teve medo, pois após tantos pesadelos, poderia estar dentro de mais um agora. Mas estava escuro, e o garoto tremia de frio, não sairia da cama por nada. Sentiu que a coisa subira em sua cama, sentiu-a em seus pés, se mexendo e se arrastando sobre os cobertores. Imaginou o que ela poderia estar fazendo, mas não tinha forças para levantar e ver. Estava muito cansado, acabou entrando em um sono profundo e sem sonhos.
Ao amanhecer, acordou muito melhor, e bem descansado, sentiu o peso da criatura sobre sua cama, tocando seu corpo sobre os cobertores.
O garoto então olhou e disse:
_Obrigado por vir me esquentar hoje a noite Gonzo, eu não teria melhorado sem você.
O cão olhou alegre para seu pequeno dono, lambeu seu rosto e saiu correndo para brincar no pátio.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Conto IV - Uma história de Procura.

Disseram adeus a todos os seus amigos, estariam viajando por algum tempo. Lua de Mel. Deixaram a pequena festa que haviam organizado para apenas alguns amigos, entraram no carro e partiram com destino ao aeroporto, que ficava há algumas horas dali. Teriam que viajar a noite toda para chegar lá, enfrentariam a madrugada, a estrada escura, mas não se preocupavam, pois a viagem seria ótima.
No radio tocava um clássico dos anos 80, enquanto a jovem esposa dormia e o marido dirigia por uma estrada desconhecida. De repente, os faróis de seu Ford Mustang 68 começaram a falhar, e o rádio a sair do ar. A mulher acordou com o ruído de estática vindo do rádio:
_O que está acontecendo?
_Não sei, o carro está falhando!
_Hum! Onde estamos?
_Não sei dizer, o GPS travou meia hora atrás!
_Que bom! Disse ironicamente a moça.
_Relaxa, o caminho tá certo, daqui a pouco encontramos uma placa ou um lugar para pedir informações!
De repente, como mágica, eles avistam uma grande mansão a beira da estrada, bem iluminada, alguns carros estacionados na frente e uma grande placa com o dizer: “Hotel e Restaurante. Há vagas”. Nesse momento, o carro parou. Ruídos vindos do capô. Havia algo errado com o motor.
_Ah! Que ótimo! Praguejou o rapaz.
_Calma, tem um hotel ali, vamos pedir ajuda!_ Sugeriu a esposa.
Os dois então desceram do carro e andaram em direção a grande casa. Atravessaram o grande pátio, passando pela fonte no centro, e pelos carros estacionados em frente à construção, dos mais variados modelos, desde carros antigos, até modelos luxuosos. Por dentro, o hotel parecia deserto, não havia ninguém no hall, nem na recepção. O casal se aproximou da bancada e tocou a pequena campainha e, alguns segundos depois, uma senhora com aproximadamente 60 anos veio para atendê-los:
_Olá, posso ajuda-los? Perguntou ela.
_Ahn, sim. _Disse o rapaz. _O Aeroporto John Wayne fica a quantos quilômetros daqui?
_John Wayne? Uns 800 eu acho! Respondeu a senhora.
_800? Mas ele fica há 450 de onde saímos! _Exclamou o rapaz exaltado.
_O senhor deve ter pego a direção errada! _ Respondeu calmamente a senhora.
_Impossível, eu segui o GPS até aqui! _Respondeu o rapaz levantando a vóz.
_Calma amor, isso é um hotel, podemos passar a noite aqui, amanhã vamos ao aeroporto e trocamos as passagens!
_Tá, tudo bem, já que não tem outro jeito.
_Ótimo! _ Disse alegremente a senhora. _Meu nome é Mrs. Gretchell, dona do Hotel, e vocês vão ficar na suíte nupcial!
Os novos hóspedes se registraram, pegaram as chaves da suíte e subiram as escadas de madeira de carvalho avermelhada, atravessaram o grande corredor acarpetado, e chegaram a grande porta dupla, o jovem noivo a abriu, e levantou sua esposa em seus braços e disse:
_Não é esse contratempo que vai estragar nossa noite de núpcias!
Ele a carregou pelo grande quarto atapetado, com móveis de madeira nobre, duas grandes janelas com cortinas de seda vermelha, que davam para o pátio frontal do Hotel, e uma porta que dava para um grande banheiro com detalhes em ouro sobre porcelana fina. O Jovem levou sua esposa e a colocou sobre a cama de carvalho e a beijou docemente. Tiveram uma noite de amor, e depois dormiram até tarde aquela manhã.
Quando acordaram, o serviço de quarto não respondia, então desceram para tomar café em algum lugar do pátio, com os outros hóspedes. La embaixo não havia encontraram ninguém. O grande Hall que devia estar cheio de gente, encontrava-se na verdade deserto, exatamente como na noite anterior. Procuraram no pátio próximo aos carros, e na estrada perto do Mustang que continuava encostado na beira da estrada, não encontraram ninguém. Deram a volta no prédio. Lá atrás encontraram uma grande mesa com vários tipos de pães, sucos, doces, frutas e café, preparada ao lado da grande piscina. Sobre a mesa havia um bilhete elegantemente escrito: “Aos recém-casados!”. Os jovens não pensaram duas vezes, sentaram-se a mesa e tomaram o melhor café da manhã de suas vidas, e depois voltaram a procurar por alguém.
Procuraram até aproximadamente o meio dia, mas não encontraram ninguém, precisavam concertar o carro e seguir para o aeroporto. Quando voltaram à frente do Hotel, o carro estava alinhado junto aos outros, e não mais a beira da estrada, como se alguém o tivesse concertado e estacionado junto aos outros, porém não havia marcas nas pedras, e os pneus estavam limpos, como se ele tivesse voado até aquela vaga no estacionamento.
_Quando você trouxe o carro pra cá? _ Perguntou a moça.
_Não fui eu, ele não funciona, lembra? _ Respondeu o rapaz. _Tem algo errado aqui!
Saíram por todos os cômodos da casa procurando desesperadamente, mas o lugar estava totalmente abandonado. A moça, já cansada, ficou esperando em uma espécie de biblioteca, enquanto seu marido procurava nos outros cômodos. Ela começou a folhear alguns livros enquanto estava lá. Após alguns minutos, o rapaz retornou a biblioteca e encontrou sua esposa caída ao chão, uma expressão de pavor extremo em seu rosto. Estava morta. Ao seu lado, um recorte de jornal, com uma foto de Mrs. Gretchell, a manchete dizia: “Dona de Hotel Fazenda Gretchell, Willhelmina Gretchel, morre depois de violento assalto em sua residência, não deixando herdeiros.” O jornal datava de 1923.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Conto 4

Conto novo p/ vcs, desculpem a demora, mas não tive muita inspiração ultimamente. =D
Espero que goster.


Marcelo era um jovem bastante comum. Tinha 17 anos, estava no ultimo ano da escola, iria para a faculdade em breve. Sonhava com um bom emprego e viver bem ao lado da família, com esposa e filhos que o amassem, talvez um cachorro também. Era um garoto muito inteligente, sempre o melhor da turma, com exceção em educação física, pois seu corpo não era nada atlético, ao contrário, ele era alto e magro, parecia um poste. Precisava usar uns óculos de fundo de garrafa, que aumentavam ainda mais a sua reputação de garoto “Nerd”.
Isso o incomodava muito, pois atrapalhava seus relacionamentos. Tinha poucos amigos, e nunca sequer havia beijado uma garota na vida. Mas aquela manhã parecia diferente. Ele tinha se mudado para aquela cidade há pouco tempo, e aquele era seu primeiro dia na escola novo. Durante o intervalo das aulas, alguns alunos vieram falar com ele, para convidá-lo para uma festa que fariam durante aquela noite na escola. De inicio não estava muito afim, mas não pode negar depois que uma garota insistiu muito e sua boca de forma inesperada.
Quando a noite chegou, foi correndo direto para a escola, a tal festa seria no balcão de ferramentas, um lugar grande onde poderiam aproveitar a noite. O lugar estava totalmente escuro quando ele chegou, não encontrou ninguém lá dentro.
De repente, as portas se fecharam, o deixando trancado sozinho ali. Uma gravação pode ser ouvida pôde ser ouvida: “Boa noite! Esperamos que aproveite a sua estadia aqui, garantimos que você jamais esquecerá!”. A voz era desconhecida, e demonstrava ter terríveis más intenções.
Marcelo se abaixou e começou a engatinhar procurando por algo para lhe ajudar a sair dali, e acabou esbarrando no que parecia ser uma pessoa desmaiada. Ele a acordou. Era a mesma garota do beijo, Gabriela era seu nome. Ela disse que havia levado uma pancada na cabeça, que estava doendo, mas que estava bem, e que seus amigos talvez estivessem ali presos também. Procuraram por todo o lugar, e não encontraram ninguém. Alguns minutos depois foi Marcelo quem levou uma pancada na cabeça que o deixou desacordado.
Quando acordou, o local estava muito diferente. Havia velas acesas em todo lugar. Agora podiam ser vistos todos os detalhes do galpão, que com aquela luz ficavam ainda mais assustadores do que normalmente seriam com todas aquelas ferramentas espalhadas e cobertas de poeira e teias de aranha.
Ele estava amarrado a ganchos no chão, e havia desenhos a sua volta, que formavam um pentagrama, o qual Marcelo estava no centro. Seus “amigos” entraram todos juntos no galpão, como se nada tivesse acontecido com Gabriela, esta não demonstrava nenhuma dor na cabeça. Ela se abaixou e falou baixinho para Marcelo: “Sentiu minha falta?”. O garoto não entendia mais nada do que estava acontecendo. Por que eles não o desamarravam? Um dos rapazes tirou uma faca da cinta e a atirou para Gabriela, que a usou para fazer um grande corte no peito de Marcelo.
“Ahhh! Por que você fez isso? Pare!” implorava o pobre garoto para os jovens a sua volta, que agora estavam em maior numero do que antes. Havia cerca de dez pessoas a sua volta naquele momento, todos usando o mesmo modelo de roupa: calças escuras e casacos de moletom com o capuz na cabeça, o que dava um ar ainda mais estranho e bizarro a situação.
Eles falavam em coro algo que parecia uma oração em alguma língua antiga. Gabriela continuava sobre Marcelo, o segurando enquanto ele se debatia tentando fugir. Outro rapaz recolhia seu sangue do corte, colocando em uma espécie de taça de prata ornamentada com pentagramas e estrelas de Davi. Ele o levantou dizendo as mesmas “orações” que os outros e depois o passou para eles, que bebiam um gole e o repassavam para o próximo.
Após todos beberem alguém colocou musica para tocar, era o inicio da “festa” prometida. Os jovens beberam, dançaram, pularam, gritaram, e muitas outras coisas ao redor do pobre Marcelo que continuava preso ao chão do galpão empoeirado. Ficou numa situação deplorável, seu sangue manchou toda sua roupa e grande parte do chão. Alguns garotos jogavam bebidas sobre ele, o deixando com a aparência ainda mais horrível. Marcelo gritava de dor quando o álcool das bebidas atingia seu peito recém-cortado.
A festa tinha momentos alternados entre musicas, regados à droga e álcool, e momentos de mais “orações”, em que os jovens bebiam mais sangue do pobre garoto amarrado ao chão, que parecia mais morto do que vivo. Ele era maltratado, chutado e pisoteado o tempo todo, mas sempre lhe diziam “Opa, desculpa aí!” ou “Nossa Marcelo, desculpa. Tome um gole de vodka!” e despejava mais bebida no coitado.
Quando tudo acabou, ao nascer do sol, os jovens foram embora, a maioria o agradecia e dava tchau. Gabriela disse: “Tchau Marcelo, te vejo daqui a pouco na aula!” como se nada tivesse acontecido.
Alguns minutos depois, o zelador, um homem velho de cabelos brancos e aparência ranzinza entrou no galpão e levou um susto ao ver o garoto naquele estado, estirado no chão, todo ensangüentado e muito pálido devido à perda de sangue. Ele chamou uma ambulância para tirá-lo dali, depois perguntou ao garoto o que aconteceu, ele disse: “Foi uma festa, mas o Diabo parecia ser o encarregado da organização!”.
“Humm – disse o velho – pena não terem me convidado dessa vez!” pegou uma vassoura e foi varrer o pátio da escola.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Conto 3

Pessoal, estou postando agora o 3º conto, escrevi ontem a noite, e disponibilizando agora para leitura. espero que vocês gostem:



Numa noite iluminada pela lua cheia, um homem comum caminha até uma encruzilhada, carregando alguns pertences pessoais dentro de uma pequena caixa de metal. Ele a enterra exatamente no centro do cruzamento e logo depois uma jovem bonita aparece, e eles conversam algumas coisas, ao fim de tudo, ela beija os pés do rapaz e desaparece instantaneamente, como poeira.
O homem acorda assustado, suando frio, foi um pesadelo horrível. Ele levanta, vai tomar seu banho, e vai para a faculdade, onde cursava medicina, que na verdade ele odiava. No entanto, a partir daquele dia, suas notas só melhoraram, e suas habilidades vieram a torna-lo o melhor estudante da turma, e isso se repetiu nos seus próximos anos de estudos.
Não é uma surpresa saber que ele se tornou o médico mais famoso do país, suas conquistas e descobertas na área de neurocirurgia o renderam muitos prêmios, o ultimo por desalojar uma bala do cérebro de um dos políticos mais importantes da época.
Quinze anos após aquele sonho, sua vida começou a mudar. Era como se alguém ou alguma coisa o estivesse perseguindo, o observando. Em seus sonhos, grandes cães negros o perseguiam por uma estrada que alcançava uma encruzilhada, quando ele sempre acordava. Uma noite, após esse sonho terminar mais uma vez, ele ainda podia escutar os cães latindo fora da casa por alguns minutos.
Durante aquela tarde, no meio de uma cirurgia, os cães voltaram a sua mente, o deixando desesperado, fazendo com que um de seus pacientes morresse pela primeira vez. Isso o transtornou de tal forma que nos próximos dias ele não voltou ao hospital.
Os cães voltavam com mais frequência, agora ele podia vê-los em todo lugar. Sua casa era o pior lugar, não havia paz lá, era como se o médico estivesse louco. Em uma determinada tarde, uma enfermeira o procurou, e enquanto conversavam, ela se transfigurou em uma espécie de cão do Inferno, e de repente ela era a jovem da encruzilhada.
“Achou que eu não voltaria?” disse ela, “Temos um trato, eu cumpri minha parte, e você está fugindo da sua. Eu te dei quinze anos, agora é hora de ir!”. Então, como se cães o atacassem, seu corpo foi arrastado para longe, e sua alma para o Inferno.
Haviam se passado quinze anos exatos, desde que o maior médico do mundo vendeu sua alma ao diabo.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Conto 1

Agora sim, o 1º, o precursor, aquele que você escreve e fica com vergonha de mostrar pra todo mundo (ainda tenho, mas fazer o que né!) bom, espero que gostem.


Madrugada. Névoa. Um homem caminha sozinho pela rua escura. Apressado. Nervoso. Parece fugir de alguém. Ele para, repentinamente, à sua frente, sombras do que parece ser um homem muito grande se contorcendo do outro lado do beco.
O homem, mais apressado do que antes, de repente se vê correndo para o outro lado, fugindo, a demonstra que quem estava naquele beco o ouviu, e que também saiu correndo, como o vento, para o outro lado.
O fugitivo finalmente encontra uma rua um pouco mais clara, onde quem o visse notaria que suas roupas estavam puídas, e sua expressão era de puro pavor. Ele escuta um urro ensurdecedor, como se um grande animal estivesse por perto. Isso o fez olhar para traz, e o que viu o deixou em pânico.
A criatura tinha aparência difusa. Parecia humana, mas também parecia um animal, e agia como um. Ela correu em direção do homem para atacá-lo, mas este pegou uma faca que possuía escondida em suas vestes.
O confronto foi inevitável, o homem conseguiu cravar sua faca no peito da criatura, que caiu morta ao seu lado, mas não antes de ferir mortalmente sua presa, que morreu também ao seu lado.
Nessa noite, o caçador se tornou a presa, e a presa se tornou um caçador mortal.

domingo, 29 de agosto de 2010

Conto 2


Sim, esse é meu segundo conto, o 1º ainda não digitei, mas logo estará disponivel para vocês.

Uma noite chuvosa. Tempestade. Relâmpagos cortam o céu escuro, iluminando tudo, e criando sombras assustadoras por todos os lados.
Em uma casa qualquer, onde todos dormiam uma senhora, a dona da casa, que morava com seus filhos, acorda assustada com o barulho de estranhas batidas e pancadas vindos da sala e que chegavam ao seu quarto, deixando-a apreensiva.
Ela levanta, e vai em direção aos sons, tentando identifica-los, sem sucesso algum.  Os raios não dão trégua, e a chuva fica cada vez mais forte, os clarões projetam sombras horripilantes dentro da casa, e a mulher vê entre elas a sombra de uma pessoa, com um objeto estranho na mão, e a cada trovão essa sombra se mostrava numa posição diferente.
De repente, os sons param. A sombra do homem para, e se pode ouvir: “Você finalmente chegou, e agora, você vai morrer!”.
A mulher não reconheceu a voz, e sofreu um ataque cardíaco mortal, devido ao susto.
O homem ouviu o grito da senhora, antes de ela cair morta, pausou o jogo no seu Nintendo WII e chorou pela morte da sua mãe.