Espero que goster.
Marcelo era um jovem bastante comum. Tinha 17 anos, estava no ultimo ano da escola, iria para a faculdade em breve. Sonhava com um bom emprego e viver bem ao lado da família, com esposa e filhos que o amassem, talvez um cachorro também. Era um garoto muito inteligente, sempre o melhor da turma, com exceção em educação física, pois seu corpo não era nada atlético, ao contrário, ele era alto e magro, parecia um poste. Precisava usar uns óculos de fundo de garrafa, que aumentavam ainda mais a sua reputação de garoto “Nerd”.
Isso o incomodava muito, pois atrapalhava seus relacionamentos. Tinha poucos amigos, e nunca sequer havia beijado uma garota na vida. Mas aquela manhã parecia diferente. Ele tinha se mudado para aquela cidade há pouco tempo, e aquele era seu primeiro dia na escola novo. Durante o intervalo das aulas, alguns alunos vieram falar com ele, para convidá-lo para uma festa que fariam durante aquela noite na escola. De inicio não estava muito afim, mas não pode negar depois que uma garota insistiu muito e sua boca de forma inesperada.
Quando a noite chegou, foi correndo direto para a escola, a tal festa seria no balcão de ferramentas, um lugar grande onde poderiam aproveitar a noite. O lugar estava totalmente escuro quando ele chegou, não encontrou ninguém lá dentro.
De repente, as portas se fecharam, o deixando trancado sozinho ali. Uma gravação pode ser ouvida pôde ser ouvida: “Boa noite! Esperamos que aproveite a sua estadia aqui, garantimos que você jamais esquecerá!”. A voz era desconhecida, e demonstrava ter terríveis más intenções.
Marcelo se abaixou e começou a engatinhar procurando por algo para lhe ajudar a sair dali, e acabou esbarrando no que parecia ser uma pessoa desmaiada. Ele a acordou. Era a mesma garota do beijo, Gabriela era seu nome. Ela disse que havia levado uma pancada na cabeça, que estava doendo, mas que estava bem, e que seus amigos talvez estivessem ali presos também. Procuraram por todo o lugar, e não encontraram ninguém. Alguns minutos depois foi Marcelo quem levou uma pancada na cabeça que o deixou desacordado.
Quando acordou, o local estava muito diferente. Havia velas acesas em todo lugar. Agora podiam ser vistos todos os detalhes do galpão, que com aquela luz ficavam ainda mais assustadores do que normalmente seriam com todas aquelas ferramentas espalhadas e cobertas de poeira e teias de aranha.
Ele estava amarrado a ganchos no chão, e havia desenhos a sua volta, que formavam um pentagrama, o qual Marcelo estava no centro. Seus “amigos” entraram todos juntos no galpão, como se nada tivesse acontecido com Gabriela, esta não demonstrava nenhuma dor na cabeça. Ela se abaixou e falou baixinho para Marcelo: “Sentiu minha falta?”. O garoto não entendia mais nada do que estava acontecendo. Por que eles não o desamarravam? Um dos rapazes tirou uma faca da cinta e a atirou para Gabriela, que a usou para fazer um grande corte no peito de Marcelo.
“Ahhh! Por que você fez isso? Pare!” implorava o pobre garoto para os jovens a sua volta, que agora estavam em maior numero do que antes. Havia cerca de dez pessoas a sua volta naquele momento, todos usando o mesmo modelo de roupa: calças escuras e casacos de moletom com o capuz na cabeça, o que dava um ar ainda mais estranho e bizarro a situação.
Eles falavam em coro algo que parecia uma oração em alguma língua antiga. Gabriela continuava sobre Marcelo, o segurando enquanto ele se debatia tentando fugir. Outro rapaz recolhia seu sangue do corte, colocando em uma espécie de taça de prata ornamentada com pentagramas e estrelas de Davi. Ele o levantou dizendo as mesmas “orações” que os outros e depois o passou para eles, que bebiam um gole e o repassavam para o próximo.
Após todos beberem alguém colocou musica para tocar, era o inicio da “festa” prometida. Os jovens beberam, dançaram, pularam, gritaram, e muitas outras coisas ao redor do pobre Marcelo que continuava preso ao chão do galpão empoeirado. Ficou numa situação deplorável, seu sangue manchou toda sua roupa e grande parte do chão. Alguns garotos jogavam bebidas sobre ele, o deixando com a aparência ainda mais horrível. Marcelo gritava de dor quando o álcool das bebidas atingia seu peito recém-cortado.
A festa tinha momentos alternados entre musicas, regados à droga e álcool, e momentos de mais “orações”, em que os jovens bebiam mais sangue do pobre garoto amarrado ao chão, que parecia mais morto do que vivo. Ele era maltratado, chutado e pisoteado o tempo todo, mas sempre lhe diziam “Opa, desculpa aí!” ou “Nossa Marcelo, desculpa. Tome um gole de vodka!” e despejava mais bebida no coitado.
Quando tudo acabou, ao nascer do sol, os jovens foram embora, a maioria o agradecia e dava tchau. Gabriela disse: “Tchau Marcelo, te vejo daqui a pouco na aula!” como se nada tivesse acontecido.
Alguns minutos depois, o zelador, um homem velho de cabelos brancos e aparência ranzinza entrou no galpão e levou um susto ao ver o garoto naquele estado, estirado no chão, todo ensangüentado e muito pálido devido à perda de sangue. Ele chamou uma ambulância para tirá-lo dali, depois perguntou ao garoto o que aconteceu, ele disse: “Foi uma festa, mas o Diabo parecia ser o encarregado da organização!”.
“Humm – disse o velho – pena não terem me convidado dessa vez!” pegou uma vassoura e foi varrer o pátio da escola.

Um comentário:
Você está melhorando a cada conto!
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